terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Surpreenda-me!

Faça-me perder o fôlego de tanto rir. Conte-me suas estradas. Confesse-me teus medos, prometo compreendê-los. Afinal, a escuridão ainda me desconforta.
Mostre-me um lado que desconheço. Um sorriso que seja só meu. Palavras que nunca foram ditas. Pois até os grandes mestres ocultam os melhores dizeres.
Lembre-se de um sonho que outrora tivera. Trabalhemos nele. Faça-o real.
Quer ouvir uma palavra? Que tal uma ação? Posso ser até o que não imagina. Este brilho de meus olhos, não demonstram a ingenuidade, pois esta, está dentro de mim. Apenas demonstram a minha esperança.
Socorra-me, estou a tua procura. Ouça este som que lhe clama. Siga esta seta, conte os passos, meça as palavras e venha de coração limpo. Estarei a sua espera.
Surpreenda-me, porque nada será em vão.

sábado, 27 de novembro de 2010

Apenas não há

Como um céu nublado, sou incapaz de ler sua mente. Essas nuvens que cobriam o seu olhar, não me diziam nada. Uma sequer palavra. De repente, a chuva veio para molhar meus cabelos e purificar os meus receios. Tudo fica bem, mas nada se conserta. Não há nada de errado, mas não há nada de certo. Apenas não há.
Essa tempestade que cobre as ruas e deixa o céu triste, acompanha os meus pensamentos. Se não há raiva, o que há então? Se não há mágoa, o que há então? Se não há sentimento, o que há então? Apenas não há.
Só há silêncio, momento, instante. Só há o que não pode ficar. Ou seja, apenas não há.
Talvez meu equilíbrio tivesse ido embora junto com a consciência sã. Sabia que deveria ir embora, mas meus pés estavam colados ao chão. Sabia o que deveria dizer, no entanto nunca fora capaz de tal pronunciamento.
Seja lá o que fosse, apenas era. E ninguém poderia desmerecer isso, seja lá o que quisesse dizer. E assim como a chuva, vou embora. O céu se abriu e não há mais nada que eu possa dizer. Minhas palavras estão em meu silêncio. Minhas ações estão em meus passos, que se afastam vagarosamente. Apenas não há mais chuva, não há mais nuvens. Não há mais chance para essas contradições. Porque na verdade... Apenas não há.

sábado, 20 de novembro de 2010

E assim vou vivendo...

Não sou do tipo ambiciosa, que anseia por tudo que vê. Não sou do tipo vingativa, vivendo atrás de um plano B. Não sou do tipo inimiga, daquela que te olha e não gosta do que vê. Não me considero convencida, porque sei que o maior dom é viver.
Sou do tipo carinhosa, talvez até manhosa. Realmente receosa, pois temo o que pode acontecer. Sou do tipo revolucionária, com a indignação ao meu lado. Sou absurdamente atrapalhada, com todas as pedras eu caio.
Posso não ser milionária, mas tenho algo a oferecer. Não é posse, não é carro. É o sorriso de que algo bom está por acontecer. Posso ser orgulhosa, porém sei quando ser. Gosto da emoção, da tarde ensolarada, do frio na madrugada, da risada engraçada, da surpresa de uma atitude inesperada.
Disseram-me certa vez, que vivo com a cabeça nas nuvens. Já eu, digo que apenas vivo como as nuvens. De maneira leve e livre, impossível de se prender, sempre esvaindo-se pelos dedos, mostrando entrelinhas um momento simples, sempre rodando pelo mundo em busca do ilimitado. Sabe-se como surgiu, mas não se sabe para onde vai. E assim eu vou vivendo, e assim vou vivendo.
Você me dá uma palavra. Eu te dou um gesto.
É assim que vivo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Doce Lar

"... Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero."


Paredes pintadas, quadros molhados e retratos de algo que aconteceu. Lembranças marcadas, roupas jogadas, um telefone que se perdeu.
Bochechas rosadas, olhos cerrados. Alguém adormeceu. Ouço ruídos, passos e latidos. Acho que meu cachorro enlouqueceu. Abraços apertados, sorrisos forçados. Seu rosto já não vai de encontro ao meu.
A porta se abriu. Uma casa vazia, mas na memória percorria tudo aquilo que um dia a encheu. O vento passou e a porta bateu. Já não havia mais espelho, não havia mais reflexo. Apenas a lembrança da grande bonança, acompanhada dos almoços de domingo.
Parte de você entra no carro e vai embora, seus pedaços também não entendem porquê. Assim como toda ferida, a dor cessa uma hora, deixando sempre uma marca com você.
Se hora esteve comigo e agora em teu silêncio me abrigo, é porque algo aconteceu. São ideias mal faladas, atitudes impensadas. Uma resposta que não ocorreu.
Não é preciso vir comigo, pois nesta casa que habito, muita coisa aconteceu. Agora vou embora, pois há vida lá fora. Pode doer na hora, mas há muito para se ver. Antes de sair deixo um recado na porta: "Para entrar necessita de chave, para sair necessita coragem." A vida é mais que uma lembrança. É uma experiência.

domingo, 5 de setembro de 2010

O mangue

Quando me dei conta, estava ali, presa em meio ao nada. Procurando a saída desse lugar, que não era mar, não era rio. Era água, era terra, era um mangue.
Pelos troncos das árvores vi as possibilidades e saídas. Em cinco ou dez passos estaria na terra. Em mais dois para qualquer outra direção, permaneceria na água e nesse ritmo, o raso poderia se tornar fundo e então, me afogaria. Permitiria-me eu, tal loucura?
A terra seria o caminho mais seguro, porém jamais seria o mais fácil. Permaneceria as minhas lutas pela minha estrutura, pelo meu ser, pelo que sou. Continuaria havendo as brigas, os maus dias, mas também haveria os abraços, o calor, o amor daqueles que andam comigo sobre ela. Essa é a vida.
A água me guiaria, me levaria, passando por tudo e por todos de maneira suave e despercebida. Havia tantas pessoas na água. Suas vidas eram fáceis, drásticas, porém medíocres. Gente tão fria. Para ficar na água, deveria afogar em mim o que sou, para renascer semelhante daqueles que nela habitam.
Minha essência berrava insistentemente em meus ouvidos, clamando por sabedoria e sensatez. Era fácil, mas não era certo. Como poderia eu, deixar de ser quem sou? Dar-me o luxo de ser alguém que desconheço? Como posso querer ser mais do que eu mesma? Não nasci para esse mundo.
Caminhei para a terra, até poder senti-la quente e áspera em meus dedos. Senti o vento beijar o meu rosto. Pude ver o sol. Estava tudo bem. A cada passo, deixava para trás o mangue e a impossibilidade de fazer parte dele. Não sou insensível, não sou fria. Sou quente, sou gente. Sou a terra firme. No final do dia, havia os passos da longa caminhada estampados pelo chão. Já podia ver o sorriso dos meus semelhantes. Estava em casa. Foi só uma fase, uma transição, um mangue. Tudo voltou ao normal.

sábado, 5 de junho de 2010

Peço desculpas se fiquei um tempo sem postar nada.
Ando muito ocupada, quase não mexo em nada relacionado a internet.
Quando as coisas melhorarem, postarei textos novos.
Um beijo.
Susanie.

A estrada

A caminhada começou. Todos os conselhos vem em mente, mas nenhuma resposta clareia, nenhuma mão amiga pode ajudar, porque é algo que se deve fazer sozinho.
De repente se lembra de quando tinha cinco anos. Seus pais lhe protegiam como se fosse algo quebradiço, sua mãe lhe acalentava como um urso de pelúcia e todas as decisões eram tomadas por eles. Sua opinião existia, e na verdade era a que mais valia. Ao se recordar disso, percebe o quanto é difícil a caminhada, em visto que dessa vez são seus pés que vão percorrer, suas mãos que vão lutar, seus lábios que vão protestar, sua consciência que vai escolher por qual estrada passar.
Não significa solidão, não quer dizer que não há a quem recorrer. É apenas uma viagem daquilo que se é, e aquele que pretende ser. Não é grave e nem mortal, é a despedida da infância e o encontro com o mundo real.
Essa estrada tem vários caminhos, diversas ruas esburacadas, muita gente mal intensionada e pessoas que lutarão por você e caminharão com você. Há atalhos, mas nem todos são bons, há obstáculos, mas não vão durar para sempre. Em meio as adversidades haverá coisas melhores para viver, o importante é crescer! A estrada é longa e maravilhosa, haverá dias difíceis sim! Ninguém disse que passar por ela seria fácil.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A felicidade em si

Não importa onde esteja, como esteja, mas sim, com quem esteja. A vida se compõe em precipícios que pulamos e aqueles que estarão lá quando cairmos.
Não importa o tamanho da queda, contanto que saibamos nos levantar para seguir em frente.
A felicidade é fácil definir, ao determinar o que é vital e o que é simplesmente inútil, fazendo isto, considere-se feliz. Aqueles que não o fazem dão grande importância ao que não importa, a vida passa e esses não vivem.
Por fim, lhes restam a trágica história do seu vão viver, para aqueles que a princípio não valorizou, ouvi-lo.
O que é vital é o que lhe permite viver além das circunstâncias, e o que é em vão, não lhe acrescenta em nada, é apenas uma vaga lembrança. O peito sempre toma o ar da esperança quando se tem em mãos um sentido pelo qual viver.
Podemos ter vários finais, baseado no começo que escolhemos ter.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A vida. O hoje

Este hoje já não é mais a nossa realidade, tornando-se o ontem, transformou-se em memória. Esperamos a vida toda para fazermos algo, porém nunca paramos para pensar que a vida toda não é tão longa quanto imaginamos, a vida é o agora.
Não devemos esperar uma ocasião para nos impor, e mostrar mais do nosso valor, se for para esperar que seja com a intenção de evitar a dor de uma atitude impensada de um sentimento imaturo, de uma loucura vinda de uma saudade acumulada.
As recordações infantis são encorajadoras, mostrando a evolução e a aprendizagem que o simples viver proporciona. Provando que o tempo amadurece levando embora com ele a inocência presa em nossos olhos, ainda juvenis.
A atualidade é dura, por isso se fortaleça baseando-se nas lições passadas de maneira que não viva em função do que já foi, e construa seu futuro, pois por mais que não saibamos do amanhã, façamos com que hoje seja sempre melhor que ontem.
Há dias pela frente, sonhar ajuda, agir faz acontecer. Não há limites se realmente crer que a única coisa que lhe impede, é você.