sábado, 27 de novembro de 2010

Apenas não há

Como um céu nublado, sou incapaz de ler sua mente. Essas nuvens que cobriam o seu olhar, não me diziam nada. Uma sequer palavra. De repente, a chuva veio para molhar meus cabelos e purificar os meus receios. Tudo fica bem, mas nada se conserta. Não há nada de errado, mas não há nada de certo. Apenas não há.
Essa tempestade que cobre as ruas e deixa o céu triste, acompanha os meus pensamentos. Se não há raiva, o que há então? Se não há mágoa, o que há então? Se não há sentimento, o que há então? Apenas não há.
Só há silêncio, momento, instante. Só há o que não pode ficar. Ou seja, apenas não há.
Talvez meu equilíbrio tivesse ido embora junto com a consciência sã. Sabia que deveria ir embora, mas meus pés estavam colados ao chão. Sabia o que deveria dizer, no entanto nunca fora capaz de tal pronunciamento.
Seja lá o que fosse, apenas era. E ninguém poderia desmerecer isso, seja lá o que quisesse dizer. E assim como a chuva, vou embora. O céu se abriu e não há mais nada que eu possa dizer. Minhas palavras estão em meu silêncio. Minhas ações estão em meus passos, que se afastam vagarosamente. Apenas não há mais chuva, não há mais nuvens. Não há mais chance para essas contradições. Porque na verdade... Apenas não há.

sábado, 20 de novembro de 2010

E assim vou vivendo...

Não sou do tipo ambiciosa, que anseia por tudo que vê. Não sou do tipo vingativa, vivendo atrás de um plano B. Não sou do tipo inimiga, daquela que te olha e não gosta do que vê. Não me considero convencida, porque sei que o maior dom é viver.
Sou do tipo carinhosa, talvez até manhosa. Realmente receosa, pois temo o que pode acontecer. Sou do tipo revolucionária, com a indignação ao meu lado. Sou absurdamente atrapalhada, com todas as pedras eu caio.
Posso não ser milionária, mas tenho algo a oferecer. Não é posse, não é carro. É o sorriso de que algo bom está por acontecer. Posso ser orgulhosa, porém sei quando ser. Gosto da emoção, da tarde ensolarada, do frio na madrugada, da risada engraçada, da surpresa de uma atitude inesperada.
Disseram-me certa vez, que vivo com a cabeça nas nuvens. Já eu, digo que apenas vivo como as nuvens. De maneira leve e livre, impossível de se prender, sempre esvaindo-se pelos dedos, mostrando entrelinhas um momento simples, sempre rodando pelo mundo em busca do ilimitado. Sabe-se como surgiu, mas não se sabe para onde vai. E assim eu vou vivendo, e assim vou vivendo.
Você me dá uma palavra. Eu te dou um gesto.
É assim que vivo.