Caras em letras. A paisagem escrita.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Dor de Mundo
Quando brigamos com a vida, brigamos com o estômago. De repente, tudo dói. Dormir pouco já não é o bastante, passamos a comer pouco também. Preocupar-nos incansavelmente não fará com que a vida nos presenteie com uma solução. A gente sempre sente. A gente sempre sabe, mas relutamos em tentar entender. Então caímos tão pesada e lentamente que ficamos nos questionando quando alcançaremos o chão, para que toda a dor vá embora. Mas sabemos que ela vai, porque as coisas são assim. Ainda sim, temos medo de que ela permaneça. Fazemos da nossa mente um terreno de desespero, até sermos tomados pela aceitação de que a única coisa que nos resta é ser forte e que "o melhor está por vir". Fechamos portas, abrimos janelas, jogamos fotos fora, limpamos aquele CD antigo, reconstruimos memórias, reconfiguramos o ponto de vista e, finalmente, curamos o coração.
Logo prosseguimos, porque não podemos ficar parados ou vivermos sozinhos. Criamos recomeços, com percursos que nos mostram sempre o quão fortes nos tornamos, mas vivemos a cada instante temendo o sofrimento novamente, da sensação do tal "tapa na cara" da Vida. E mesmo que ela machuque, a gente aprende. Porque na Vida, há dores, mas viver de dores não é vida.
sábado, 22 de outubro de 2011
Laço de Barbante
Nunca foi fácil, não é? Nunca foi tão verdade assim. Se há duas verdades, há duas pontas. Se há duas pontas, há um meio. Logo, tudo se interliga de um jeito.
Se dói lá, dói aqui também. O mundo sempre foi assim, escute isso. Não é apenas um conselho, é um fato.
Olho para um laço de cetim e penso nas pessoas. Demora-se um tempo para entender como atar um belo laço, no entanto, este se desfaz no primeiro descuido. E por mais lindo que fosse, se desfez. Porque no fundo, esse era o intuito. Fora feito para ser bonito e não para ser duradouro. Sempre soubemos disso, pois quando queremos amarrar algo, recorremos ao barbante e não ao cetim. O barbante não forma o laço mais bonito, mas é o mais forte e seguro.
Encontro respostas, porque busco-as. Medito nelas e as entendo. E todas as vezes que minha compreensão gera dor, desato, desfaço e mudo de lugar. Como se fosse para mudar algo em mim, algo no mundo, algo em tudo. O comodismo me incomoda.
Retiro-me mais uma vez, tentando me convencer de que um dia algo me fará parar de cortar laços falsos de cetim e me firmar em laços de barbante.
Se dói lá, dói aqui também. O mundo sempre foi assim, escute isso. Não é apenas um conselho, é um fato.
Olho para um laço de cetim e penso nas pessoas. Demora-se um tempo para entender como atar um belo laço, no entanto, este se desfaz no primeiro descuido. E por mais lindo que fosse, se desfez. Porque no fundo, esse era o intuito. Fora feito para ser bonito e não para ser duradouro. Sempre soubemos disso, pois quando queremos amarrar algo, recorremos ao barbante e não ao cetim. O barbante não forma o laço mais bonito, mas é o mais forte e seguro.
Encontro respostas, porque busco-as. Medito nelas e as entendo. E todas as vezes que minha compreensão gera dor, desato, desfaço e mudo de lugar. Como se fosse para mudar algo em mim, algo no mundo, algo em tudo. O comodismo me incomoda.
Retiro-me mais uma vez, tentando me convencer de que um dia algo me fará parar de cortar laços falsos de cetim e me firmar em laços de barbante.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
A Porta
Caminhando, ela procurava algo que não sabia descrever. Não era tecnicamente palpável, mas era possível sentir. Não era algo comestível, mas se digerido fosse, poderia até sentí-lo apertando e queimando em suas entranhas. Quem sabe não fosse algo real, no entanto, tinha certeza de uma coisa: era vivo.
Pisando em ovos, cansada de tanta automaticidade, analisava pela janela aquela vizinhança, sem grandes esperanças. As pessoas costumam fazer votos de força, mas no fundo sabemos que tudo se vai. De repente ouviu uma voz dura, porém terna, dizendo:
- E então? Para onde vai? Olhe para frente, de preferência encontre meus olhos. Suspire e diga que está vendo aquela porta que há tempos trancou.
- Porta? Que porta? - respondeu rapidamente, não pareceu impressionada.
- Eu sei que doeu, mas a vida é assim. Não entende? Não adianta se culpar pelo rumo da vida. Quem poderá saber o que há na curva do rio?
- Não entendo... Que porta?
- Ora, a porta que dá sentido a tudo! Que torna tudo mais intenso e real. A porta das circunstâncias, a porta dos sonhos mais profundos, a porta da vivacidade que gera brilho nos olhos. A porta que se tranca por dentro, tornando inacessível até a parte de fora. A porta do coração.
- Quem pensa que é, para me dizer como devo ou não me proteger?
- Quem pensas que és, para deixar a Razão caminhar sozinha? Ou pensas também, como tantas outras pessoas, que a Emoção é criminosa e irresponsável a ponto de escondê-la e me deixar só?
- De que adianta deixá-la solta por aí, se ninguém a respeita? De que adianta, se só a sua voz me valeu?
- Ninguém é sábio sozinho, menina. Precisa dela tanto quanto eu. Gostava de ti muito mais antes...
- Antes quando? Quando tola?
- Não. Quando era boba o suficiente para rir de si mesma. Quando era capaz sorrir sem motivos, ser intensa, fiel, amável e justa. Lembro-me da sua inocência. Cativava até o próprio Amor. Não impunha regras de aproximação e não havia jogos de orgulho consigo mesma. Apenas fluia e se soltava. Coisa que ninguém mais faz.
- Pensei que fosse normal se ferir e recuar para deixar sarar.
- Esse é o problema. Ficou normal demais. As pessoas vivem de imagem. Jamais passam para os outros quem são, o que pensam e o que querem de fato. Ocultam suas dores, seus amores. São frias. Manipulam o sentimento de quem tem, para que esses amem sozinhos. Pois os tais 'decepcionados' são incapazes de se entregar. Anseiam estar a frente de todas as situações, mecanizando o mundo e a eles mesmos. Tolos...
A garota, agora triste, compreendera o recado da Razão e se permitiu abrir a porta de todas as circunstâncias. Era como se o sol pudesse renascer no horário de sua despedida, deixando brilhar cada detalhe oculto e empoeirado do seu íntimo. Agora o mundo faz sentido.
Um passo, um ato, uma escolha. Uma entrada, uma saída, dois lados e uma face. Uma porta. Talvez fosse isso. Encontrou algo que estava lá dentro, a razão que alterava cada e qualquer coisa. Encontrou a Emoção, e não para por aí. Lá estava ela, atrás da porta, de joelhos e nítidamente entediada, pronta para sair... A Essência.
Pisando em ovos, cansada de tanta automaticidade, analisava pela janela aquela vizinhança, sem grandes esperanças. As pessoas costumam fazer votos de força, mas no fundo sabemos que tudo se vai. De repente ouviu uma voz dura, porém terna, dizendo:
- E então? Para onde vai? Olhe para frente, de preferência encontre meus olhos. Suspire e diga que está vendo aquela porta que há tempos trancou.
- Porta? Que porta? - respondeu rapidamente, não pareceu impressionada.
- Eu sei que doeu, mas a vida é assim. Não entende? Não adianta se culpar pelo rumo da vida. Quem poderá saber o que há na curva do rio?
- Não entendo... Que porta?
- Ora, a porta que dá sentido a tudo! Que torna tudo mais intenso e real. A porta das circunstâncias, a porta dos sonhos mais profundos, a porta da vivacidade que gera brilho nos olhos. A porta que se tranca por dentro, tornando inacessível até a parte de fora. A porta do coração.
- Quem pensa que é, para me dizer como devo ou não me proteger?
- Quem pensas que és, para deixar a Razão caminhar sozinha? Ou pensas também, como tantas outras pessoas, que a Emoção é criminosa e irresponsável a ponto de escondê-la e me deixar só?
- De que adianta deixá-la solta por aí, se ninguém a respeita? De que adianta, se só a sua voz me valeu?
- Ninguém é sábio sozinho, menina. Precisa dela tanto quanto eu. Gostava de ti muito mais antes...
- Antes quando? Quando tola?
- Não. Quando era boba o suficiente para rir de si mesma. Quando era capaz sorrir sem motivos, ser intensa, fiel, amável e justa. Lembro-me da sua inocência. Cativava até o próprio Amor. Não impunha regras de aproximação e não havia jogos de orgulho consigo mesma. Apenas fluia e se soltava. Coisa que ninguém mais faz.
- Pensei que fosse normal se ferir e recuar para deixar sarar.
- Esse é o problema. Ficou normal demais. As pessoas vivem de imagem. Jamais passam para os outros quem são, o que pensam e o que querem de fato. Ocultam suas dores, seus amores. São frias. Manipulam o sentimento de quem tem, para que esses amem sozinhos. Pois os tais 'decepcionados' são incapazes de se entregar. Anseiam estar a frente de todas as situações, mecanizando o mundo e a eles mesmos. Tolos...
A garota, agora triste, compreendera o recado da Razão e se permitiu abrir a porta de todas as circunstâncias. Era como se o sol pudesse renascer no horário de sua despedida, deixando brilhar cada detalhe oculto e empoeirado do seu íntimo. Agora o mundo faz sentido.
Um passo, um ato, uma escolha. Uma entrada, uma saída, dois lados e uma face. Uma porta. Talvez fosse isso. Encontrou algo que estava lá dentro, a razão que alterava cada e qualquer coisa. Encontrou a Emoção, e não para por aí. Lá estava ela, atrás da porta, de joelhos e nítidamente entediada, pronta para sair... A Essência.
sábado, 9 de abril de 2011
Homens do Século XXI
Óh homens do século XXI, quem são vocês? Homens com ternos, engravatados? Hippies de rua, bandidos ou revoltados? Propagam a paz com um punhal na mão. Ora dizem sim, ora dizem não. Quem são vocês, homens da nova geração?
Falam alto como se clamassem atenção. Buscam viver a vida, pregando a liberdade de expressão. Liberdade esta, capaz de reprimir quem não anda conforme o seu padrão. Esvaziam suas mentes e contaminam seus corpos. Apagam suas mágoas com a doce embriaguez.
Andam em bandos, porque temem a solidão. Com noites passadas de dias vividos, e apenas lembranças de rostos desconhecidos. Estão indo embora, para onde vão agora? Não se sabe. Não há sentido e nem direção.
Não se entregam por inteiro, vivendo das metades, fugindo do certeiro. Estão com todo mundo, mas estão sozinhos.
Óh homens do século XXI, por quem vivem afinal? Antes de dormir, por que sentem esse vazio? Essa interminável luta por ninguém. Nômades por opção, quando vão colocar concreto nessa terra molhada? Nesse mundo há uma jornada, onde estão afinal, as suas pegadas?
Falam alto como se clamassem atenção. Buscam viver a vida, pregando a liberdade de expressão. Liberdade esta, capaz de reprimir quem não anda conforme o seu padrão. Esvaziam suas mentes e contaminam seus corpos. Apagam suas mágoas com a doce embriaguez.
Andam em bandos, porque temem a solidão. Com noites passadas de dias vividos, e apenas lembranças de rostos desconhecidos. Estão indo embora, para onde vão agora? Não se sabe. Não há sentido e nem direção.
Não se entregam por inteiro, vivendo das metades, fugindo do certeiro. Estão com todo mundo, mas estão sozinhos.
Óh homens do século XXI, por quem vivem afinal? Antes de dormir, por que sentem esse vazio? Essa interminável luta por ninguém. Nômades por opção, quando vão colocar concreto nessa terra molhada? Nesse mundo há uma jornada, onde estão afinal, as suas pegadas?
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Surpreenda-me!
Faça-me perder o fôlego de tanto rir. Conte-me suas estradas. Confesse-me teus medos, prometo compreendê-los. Afinal, a escuridão ainda me desconforta.
Mostre-me um lado que desconheço. Um sorriso que seja só meu. Palavras que nunca foram ditas. Pois até os grandes mestres ocultam os melhores dizeres.
Lembre-se de um sonho que outrora tivera. Trabalhemos nele. Faça-o real.
Quer ouvir uma palavra? Que tal uma ação? Posso ser até o que não imagina. Este brilho de meus olhos, não demonstram a ingenuidade, pois esta, está dentro de mim. Apenas demonstram a minha esperança.
Socorra-me, estou a tua procura. Ouça este som que lhe clama. Siga esta seta, conte os passos, meça as palavras e venha de coração limpo. Estarei a sua espera.
Surpreenda-me, porque nada será em vão.
Mostre-me um lado que desconheço. Um sorriso que seja só meu. Palavras que nunca foram ditas. Pois até os grandes mestres ocultam os melhores dizeres.
Lembre-se de um sonho que outrora tivera. Trabalhemos nele. Faça-o real.
Quer ouvir uma palavra? Que tal uma ação? Posso ser até o que não imagina. Este brilho de meus olhos, não demonstram a ingenuidade, pois esta, está dentro de mim. Apenas demonstram a minha esperança.
Socorra-me, estou a tua procura. Ouça este som que lhe clama. Siga esta seta, conte os passos, meça as palavras e venha de coração limpo. Estarei a sua espera.
Surpreenda-me, porque nada será em vão.
sábado, 27 de novembro de 2010
Apenas não há
Como um céu nublado, sou incapaz de ler sua mente. Essas nuvens que cobriam o seu olhar, não me diziam nada. Uma sequer palavra. De repente, a chuva veio para molhar meus cabelos e purificar os meus receios. Tudo fica bem, mas nada se conserta. Não há nada de errado, mas não há nada de certo. Apenas não há.
Essa tempestade que cobre as ruas e deixa o céu triste, acompanha os meus pensamentos. Se não há raiva, o que há então? Se não há mágoa, o que há então? Se não há sentimento, o que há então? Apenas não há.
Só há silêncio, momento, instante. Só há o que não pode ficar. Ou seja, apenas não há.
Talvez meu equilíbrio tivesse ido embora junto com a consciência sã. Sabia que deveria ir embora, mas meus pés estavam colados ao chão. Sabia o que deveria dizer, no entanto nunca fora capaz de tal pronunciamento.
Seja lá o que fosse, apenas era. E ninguém poderia desmerecer isso, seja lá o que quisesse dizer. E assim como a chuva, vou embora. O céu se abriu e não há mais nada que eu possa dizer. Minhas palavras estão em meu silêncio. Minhas ações estão em meus passos, que se afastam vagarosamente. Apenas não há mais chuva, não há mais nuvens. Não há mais chance para essas contradições. Porque na verdade... Apenas não há.
Essa tempestade que cobre as ruas e deixa o céu triste, acompanha os meus pensamentos. Se não há raiva, o que há então? Se não há mágoa, o que há então? Se não há sentimento, o que há então? Apenas não há.
Só há silêncio, momento, instante. Só há o que não pode ficar. Ou seja, apenas não há.
Talvez meu equilíbrio tivesse ido embora junto com a consciência sã. Sabia que deveria ir embora, mas meus pés estavam colados ao chão. Sabia o que deveria dizer, no entanto nunca fora capaz de tal pronunciamento.
Seja lá o que fosse, apenas era. E ninguém poderia desmerecer isso, seja lá o que quisesse dizer. E assim como a chuva, vou embora. O céu se abriu e não há mais nada que eu possa dizer. Minhas palavras estão em meu silêncio. Minhas ações estão em meus passos, que se afastam vagarosamente. Apenas não há mais chuva, não há mais nuvens. Não há mais chance para essas contradições. Porque na verdade... Apenas não há.
sábado, 20 de novembro de 2010
E assim vou vivendo...
Não sou do tipo ambiciosa, que anseia por tudo que vê. Não sou do tipo vingativa, vivendo atrás de um plano B. Não sou do tipo inimiga, daquela que te olha e não gosta do que vê. Não me considero convencida, porque sei que o maior dom é viver.
Sou do tipo carinhosa, talvez até manhosa. Realmente receosa, pois temo o que pode acontecer. Sou do tipo revolucionária, com a indignação ao meu lado. Sou absurdamente atrapalhada, com todas as pedras eu caio.
Posso não ser milionária, mas tenho algo a oferecer. Não é posse, não é carro. É o sorriso de que algo bom está por acontecer. Posso ser orgulhosa, porém sei quando ser. Gosto da emoção, da tarde ensolarada, do frio na madrugada, da risada engraçada, da surpresa de uma atitude inesperada.
Disseram-me certa vez, que vivo com a cabeça nas nuvens. Já eu, digo que apenas vivo como as nuvens. De maneira leve e livre, impossível de se prender, sempre esvaindo-se pelos dedos, mostrando entrelinhas um momento simples, sempre rodando pelo mundo em busca do ilimitado. Sabe-se como surgiu, mas não se sabe para onde vai. E assim eu vou vivendo, e assim vou vivendo.
Você me dá uma palavra. Eu te dou um gesto.
É assim que vivo.
Sou do tipo carinhosa, talvez até manhosa. Realmente receosa, pois temo o que pode acontecer. Sou do tipo revolucionária, com a indignação ao meu lado. Sou absurdamente atrapalhada, com todas as pedras eu caio.
Posso não ser milionária, mas tenho algo a oferecer. Não é posse, não é carro. É o sorriso de que algo bom está por acontecer. Posso ser orgulhosa, porém sei quando ser. Gosto da emoção, da tarde ensolarada, do frio na madrugada, da risada engraçada, da surpresa de uma atitude inesperada.
Disseram-me certa vez, que vivo com a cabeça nas nuvens. Já eu, digo que apenas vivo como as nuvens. De maneira leve e livre, impossível de se prender, sempre esvaindo-se pelos dedos, mostrando entrelinhas um momento simples, sempre rodando pelo mundo em busca do ilimitado. Sabe-se como surgiu, mas não se sabe para onde vai. E assim eu vou vivendo, e assim vou vivendo.
Você me dá uma palavra. Eu te dou um gesto.
É assim que vivo.
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