Por muito tempo absorvi as suas palavras sem senti-las, mas talvez hoje elas de fato façam algum sentido para mim. Lembro claramente dos momentos em que suas lamúrias preenchiam meus ouvidos, se eu não estivesse tão feliz só por te ouvir, creio que me incomodaria. Lembro do seu medo de estragar tudo e por tudo a perder, lembro até quando disse que na verdade tinha medo de me perder, irônico como hoje isso soa tão vago para mim. Lembro das promessas, incrível como eu acreditava nelas. Recordo das risadas, o que havia de tão bom que é tão difícil voltar ao normal?
É incrivelmente fácil pegar todas as recordações e torná-las vagas e substituíveis, para você. Talvez eu esteja julgando, por favor me desculpe, mas percebo que o maior problema não foi a nossa decisão precipitada, não foi a ilusão criada, foi o seu medo, e a minha esperança.
Seu medo de seguir isso em frente com tanto da vida pela frente, o medo do sentimento, o medo da dificuldade, e do seu possível ‘erro’, medo de ter que abrir mão de coisas por algo que poderia ser tudo e nada ao mesmo tempo. E a minha vã esperança de acreditar que as suas expectativas fossem as mesmas que as minhas, que você seria capaz de algo tão grandioso, só pelo prazer da minha companhia. Esperança que você preferisse estar ao meu lado em coração, do que perto de outra em corpo. Não lhe culpo pela sua escolha, então por favor, não me odeie por opinar em ser feliz sem você, perto ou longe de mim. Só viver, já basta para mim.
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